terça-feira, 16 de setembro de 2014

Extraordinário (R. J. Palacio)

Título: Extraordinário
Autora: R. J. Palacio
Título original: Wonder
Tradução: Rachel Agavino
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 320







Extraordinário não poderia ter título mais apropriado. É uma história linda e cativante, um misto de tristeza e de alegria. Acredito que o livro é mais voltado para o público juvenil, mas pode agradar as mais variadas idades. Só é preciso ter um cantinho imaculado no coração para se encantar por personagens tão fofos.

Deixando a enrolação de lado e partindo para o que interessa... O livro conta um pouco da vida de August (Auggie) Pullman, um garotinho de 10 anos que nasceu com uma mutação genética que provocou uma deformidade facial praticamente irreparável. Em alguns trechos o rosto de Auggie é descrito como se fosse uma queimadura profunda, como se o rosto estivesse derretendo. Falta até imaginação para criar tal imagem mental com fidelidade. Auggie é irmão de Olivia (Via) e seus pais se chamam Isabel e Nate. Até os 10 anos Auggie sempre estudou em casa, mas agora chegou o momento de ir estudar em uma escola. Nesse contexto o livro se desenvolve.

Acho que não preciso mencionar que a vida de Auggie não é fácil. Começar a vida escolar com a fisionomia dele é mais difícil ainda. Eu achei perfeito o fato do enredo trazer essa introdução à vida escolar, acho que esse ambiente permite que o leitor se conecte com os personagens, porque todos nós, em maior ou menor grau, algum dia já passamos pela brava jornada de sobreviver ao ensino fundamental e médio. Eu me vi no Auggie, nos colegas dele, na irmã... É um livro que ajudaria muitos jovens a compreenderem a dificuldade que é ser rejeitado só por ser diferente.

Outro ponto que achei positivo foi o fato do livro dar destaque também ao núcleo familiar. Ver a dinâmica familiar dos Pullman foi extremamente enriquecedor para a história, trouxe o toque de realidade para prender também os leitores mais velhos. Foi inteligente a abordagem da autora, que fez questão de destacar que a vida não é árdua apenas para quem tem alguma deficiência (que não é deficiência e sim, diferença), mas para toda a família também.

O livro tem uma construção estrutural bem dinâmica. Cada parte é narrada por um personagem, isso confere mais ritmo a narrativa e a possibilidade de inserção de diferentes perspectivas. Cada parte é escrita na forma de diário e com capítulos bem curtinhos, o que estimula muito mais a leitura e torna o livro impossível de ser largado. A mudança de personagem é facilmente identificada na diagramação, que muda a cor da página em cada transição. Eu gostei disso e tenho certeza que o público jovem também vai gostar.

Só teve uma coisinha que me desagradou profundamente... Na minha edição, logo na primeira página, veio um folheto publicitário da editora, que eu tentei arrancar a todo custo, mas não obtive êxito. Isso me deixa agoniada. Eu costumo gostar do trabalho da Intrínseca, mas acho que eles poderiam ter tido mais zelo na confecção. Não quero pagar por um livro e ter uma propaganda enorme estragando a obra. Anyway.

Por ser voltado para o público mais juvenil, o português é bem adequado ao grupo, ou seja, não espere encontrar uma obra com um elevado grau de erudição e rebuscamento. É obra para educar não pela linguagem apenas, mas pelo conteúdo, pela mensagem. Foi um bom aprendizado para mim. É um livro que eu quero guardar para o futuro, para ler para meus futuros filhos, para podermos chorar juntos pelo gosto agridoce que a vida tem, mas que mesmo assim tem uma doçura guardada para nos surpreender. Chorei sim. Choraria de novo. E continuo querendo chorar um pouco mais.




Recentemente a editora relançou o livro em uma capa azul. E aí, branca ou azul?




Se você chegou até aqui, então um grande abraço.

Volte sempre!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Indicação de livros: Não-ficção #01

Quando eu comecei a ler Conversando com Mrs. Dalloway, da Celia Blue Johnson, eu fiquei bastante em dúvida se deveria fazer um post com meus comentários como faço com outros livros, mas optei por não fazer. Pode ser uma questão muito pessoal, mas eu, particularmente, não sei como fazer uma resenha de um livro que não é ficcional. O que eu avaliaria em um contexto destes? Posso analisar a história afinal? Quando a história é real ou produto de uma pesquisa só me sinto confortável para avaliar a riqueza da escrita da autora. Nesse sentido, a escrita da Celia me agradou bastante, mesmo o livro podendo enveredar pelo caminho da monotonia.

Celia Blue Johnson é mestre em Literatura Americana e Inglesa. Conversando com Mrs. Dalloway é resultado de toda esta dedicação acadêmica. No livro, Celia nos mostra uma pesquisa bem interessante a respeito da inspiração por trás de 50 clássicos, selecionados pela autora entre seus favoritos. Através do livro ficamos conhecendo o processo criativo de grandes autores e obras marcantes, como O Hobbit, A redoma de vidro, A revolução dos bichos, As crônicas de Nárnia, Cassino Royale, Sherlock Holmes, entre muitos outros títulos.

A leitura tem um ritmo mais lento, bem contrário ao ritmo de narrativa de ficção, mas apesar disso não foi enfadonha. Esse tipo de assunto me interessa muito e acredito que pode interessar a outras pessoas também.



domingo, 7 de setembro de 2014

Resultado do sorteio: O Circo Mecânico Tresaulti e Memória de minhas putas tristes + Eu me chamo Antônio

Saiu o resultado. Parabéns para as ganhadoras!


Para ver o link do resultado, clique aqui.

Enviei e-mail pedindo mais informações, aguardo a resposta de vocês.
Abraços.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Balanço do mês: Agosto

Olá!

Edição de agosto do balanço do mês.

Leituras de Agosto:
O futuro de nós dois (Jay Asher e Carolyn Mackler)

O que estou lendo:
Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo (David Foster Wallace)

Possíveis leituras para setembro:
Pretendo terminar David Foster Wallace e começar a ler O chamado do Cuco (Roberth Galbraith)

O que andei vendo:
(Os itens marcados com * são revisão. Trocando em miúdos, já foram vistos antes).

Filmes:
Oblivion
Roubo nas alturas
300: A ascensão do império
Capitão América: O soldado invernal

Séries:
Game of Thrones (3ª e 4ª temporada)

Apareceu no Ainda Leio:
No início do mês de agosto tivemos por aqui o balanço do mês de julho. Depois lancei meus comentários sobre A lista do nunca e Admirável mundo novo. Divulguei aqui no blog a promoção que está rolando na fanpage do Ainda Leio. Publiquei também um pequeno texto sobre a dificuldade de manter uma rotina de leitura diante de uma vida atribulada, para ler clique aqui

Até a próxima edição.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Admirável mundo novo (Aldous Huxley)

Título: Admirável mundo novo
Autor: Aldous Huxley
Título original: Brave new world
Tradução: Vidal de Oliveira
Editora: Globo livros
Coleção: Globo de bolso
Ano: 2009
Páginas: 399






Admirável mundo novo é um clássico do gênero distopia. A distopia é o gênero responsável por criar um mundo oposto a utopia, nele vemos retratado um estado perfeito, onde impera a felicidade plena e a concórdia absoluta entre os membros da sociedade. Esse mundo "perfeito" é conseguido através de governos totalitários e poderes tirânicos. A distopia trata basicamente disso, de sociedades opressoras que se revestem do manto da igualdade para controlar os cidadãos.

Escrito em 1932, por Aldous Huxley, este livro permanece atual ainda nos dias de hoje, talvez agora faça até mais sentido do que no período em que foi concebido. Isso é o que mais me agrada nas poucas distopias que li, essa capacidade de ser atemporal e dialogar com as gerações futuras com clareza.

Em admirável mundo novo a sociedade que conhecemos deixou de existir. Ambientado em Londres, em aproximadamente 632 d.F. (depois de Ford), porque Deus deixou de existir para essa humanidade, as relações afetivas simplesmente foram abolidas em nome da paz e harmonia mundial. Henry Ford foi um dos precursores da administração clássica, ele revolucionou os transportes ao desenvolver o modelo "T", um carro padronizado, produzido a baixos custos e em larga escala. Ele foi o pioneiro do "capitalismo do bem-estar social". Neste novo mundo o referencial supremo da população é Ford, ele é o novo "Deus". Quem comanda a ordem mundial é chamada de Sua Fordeza (altamente bizarro). 

Toda forma de religião, arte ou cultura, principalmente gratuita, foram extintas. Nesta sociedade as pessoas não são livres para criarem suas concepções de mundo, elas não são livres em nenhuma hipótese. Para supostamente pacificar, a sociedade resolveu padronizar também a população, o modelo de produção de Ford, virou o modelo de produção dos seres humanos também. Não existe mais famílias, doenças, velhice ou liberdade de pensamento. As pessoas são criadas em laboratórios e condicionadas antes mesmo de nascer a pertencerem e agirem da forma correspondente a sua casta. Para estimular esse condicionamento, é sempre recomendado o uso do soma, uma droga sintética criada para proporcionar um certo torpor as pessoas e afastá-las de qualquer questionamento ou conflito.

Bernard, um dos personagens apresentados, insatisfeito com a sua vida, viaja para uma reserva selvagem e lá conhece John, um jovem que nasceu de uma mulher condicionada. A partir daí vemos um desfecho se desenhar. Para saber mais, só lendo a história.

Eu não sei o que Huxley tinha em mente ao criar esta obra, mas eu vejo um livro altamente irônico e satírico. É uma crítica ferrenha ao capitalismo. Huxley criou uma sociedade contrária a tudo que fosse prazeroso, gratuito ou velho. Vemos as pessoas serem condicionadas ao belo, ao moderno, aos gastos, porque assim supostamente elas viveriam harmoniosamente. Desde aquela época nós já podíamos enxergar a famosa política "do pão e circo", que permanece até hoje arraigada em nossa cultura. O autor questiona se o conceito que nós temos de civilização seria o correto. É um livro que estimula bastante nosso senso analítico.

É bastante irônica a escolha de Ford para o posto de divindade, uma vez que ele era um cristão episcopal. O próprio autor passou a dar bastante importância a evolução espiritual em suas obras futuras. Vemos o tom de crítica a sociedades altamente anarquistas. A falta de fé não tornou as pessoas felizes e livres, muito pelo contrário.

Não é uma obra de leitura fácil. Ela não foi desenvolvida para ser digerida com facilidade. Esta minha edição traz um vocabulário mais refinado, longe de coloquialismo e expressões corriqueiras, isso não atrapalha a compreensão textual, mas pode dificultar a leitura para um público mais juvenil. O livro é repleto de referências a Shakespeare e por vezes adota um tom mais poético. Me chamou atenção o fato da obra trazer no rodapé a transcrição original de cada trecho de Shakespeare utilizado como citação. Achei bem legal mesmo.

Foi uma tarefa bem hercúlea terminar este livro. Não que eu tenha achado ruim, mas a narrativa exige uma dedicação e atenção que eu não tinha a oferecer no momento. No geral, eu gostei bastante. Não sei se compreendi todo o contexto, mas achei uma leitura fantástica.







Todos os moralistas estão de acordo em que o remorso crônico é um sentimento dos mais indesejáveis. Se uma pessoa procedeu mal, arrependa-se, faça as reparações que puder e trate de comportar-se melhor na próxima vez. Não deve, de modo nenhum, pôr-se a remoer suas más ações. Espojar-se na lama não é a melhor maneira de ficar limpo. (Prefácio)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Vida corrida, leitura parada

Eu confesso que ouço muito falar em ressaca literária e me orgulhava de nunca ter tido uma (pelo menos não que eu me lembre), mas ultimamente tenho sofrido para dar continuidade às minhas leituras. Agora terminar um livro não é apenas um sinônimo de satisfação, mas de sofrimento também, porque vou ficando desanimada cada vez que não 'avanço' em uma leitura.

Me pergunto a razão de tal fenômeno em minha vida. Será que é a famosa ressaca literária ou só uma boa dose de falta de tempo mesmo? Talvez seja os dois. Ou talvez seja mais influência da segunda hipótese. Hoje em dia até as crianças possuem uma rotina puxada, comigo não é diferente. A vida tem se tornado mais cansativa, a rotina exige mais dedicação e eu não consegui me adaptar a tudo isso. Dentre todas as áreas da minha vida: esposa, profissional, dona de casa, leitora... Essa última é a mais sacrificada. Não consigo mais ler durante a semana, por causa das atribulações do trabalho e da vida doméstica, nem nos fins de semana, porque recrio minha própria versão da Escrava Isaura. "Lê lê, lê lê, lê lê lê lê lê lê. Vida de dona de casa é difícil, é difícil como o que"...

Enfim, passo tanto tempo lendo um mesmo livro, que acabo enjoando. Quero dedicar algumas horas do meu dia para a leitura e acabo lendo míseras 10 páginas, quando leio muito. Mesmo a obra sendo boa, não sinto vontade de continuar, porque ela se arrasta, arrasta e se arrasta, parecendo uma história sem fim. Agora me diz: Existe como ficar animada assim? Eu não consigo. Nem o blog consigo manter atualizado. Falta a inspiração (e disposição) para vir aqui escrever. Estou vivendo o ônus de alguns escritores famosos: Estou tendo bloqueios criativos (sem a parte da fama, do dinheiro e do reconhecimento, claro!).

Se você sobreviveu ao drama descrito acima e chegou até aqui, o que quero dizer é que sempre existirão motivos para abandonarmos as coisas prazerosas de nossas vidas, sejam elas escrever, ler, assistir filmes, passear, entre outras coisas, mas nós temos que nos agarrar a qualquer possibilidade de pôr um sorriso no rosto, de tirar o peso dos ombros, de simplesmente relaxar. Assim como eu, pode ser que você que está me lendo também esteja vivendo este momento de ressaca. Não estamos sós. O dia tem o mesmo número de horas para todo mundo, então acredite, não existe alguém que esteja com tempo sobrando. Isso sim é igualdade! Se cansou de alguma coisa que gosta de fazer, dê um tempo, vá buscar outro divertimento e depois volte, persevere. É assim com a vida, é assim com os livros. Eu continuarei aqui, 'correndo' para tirar minhas leituras do 'sedentarismo'.

Um beijo! 

domingo, 17 de agosto de 2014

Sorteio: O Circo Mecânico Tresaulti e Memória de minhas putas tristes + Eu me chamo Antônio


Ê, o Ainda Leio vai ter seu primeiro sorteio. \o/

Mas antes que você queira participar, acho que é importante ficar sabendo que estes livros foram lidos. Por motivos de espaço, estou me 'desapegando' de alguns livros que não tenho interesse em reler, então pensei que eu poderia sortear e fazer um leitor feliz (desde que ele não se importe de não ganhar livro novo). ;)

Os livros estão bem conservados e foram pouco manuseados (fui a única dona). Saliento, apenas, que o livro do Gabriel García Márquez tem meu nome na primeira folha.

Serão dois sorteados. O primeiro ganhará O Circo Mecânico Tresualti e o segundo ganhador será contemplado com Memória de minhas putas tristes e Eu me chamo Antônio.



Para participar é muito simples, você só precisa seguir este regulamento:
- Curtir a página do Ainda Leio no facebook.
- Compartilhar este sorteio nas redes sociais.

Para participar clique aqui!

A lista do nunca (Koethi Zan)

Título: A lista do nunca
Autora: Koethi Zan
Título original: The never list
Tradução: Elvira Serapicos
Editora: Companhia das Letras
Selo: Paralela
Ano: 2013
Páginas: 274





Este livro foi muitíssimo comentado no fim do último ano e início deste. Acho que sou uma das últimas pessoas a falar dele, mas mesmo assim irei comentar, porque pode ser que exista aí do outro lado do monitor alguém que, como eu, gosta de deixar a 'badalação' diminuir.

Faz algum tempo que eu terminei de ler este livro, então não posso garantir que serei fiel a sinopse, por isso não vou me prolongar demais no texto.

Eu tinha visto alguns vídeos a respeito deste livro e as opiniões eram bastante divergentes, gente que amava, outras que não gostaram muito da obra por causa do final... Enfim, só lendo mesmo para tirar as conclusões. Este livro foi bem surpreendente. Esperava encontrar uma boa narrativa, uma história bem marcante e foi isso mesmo, minhas expectativas foram correspondidas.

O livro conta a história de Sarah e Jennifer, duas amigas que aos 10 ou 12 anos, não me recordo bem, sofrem um acidente de carro e, traumatizadas, começam a escrever um rol de coisas que não devem ser feitas, afim de evitar outros acidentes, sequestros, enfim, qualquer catástrofe. Este rol é chamado de "a lista do nunca" (de onde deriva o título da obra). Tudo estava correndo muito bem, as meninas viveram a adolescência de acordo com as regras por elas impostas, até que um descuido durante uma festa da faculdade originou o evento chave desta narrativa.

As meninas são sequestradas e passam 3 anos trancadas em um porão, vivendo todo tipo de tortura, física e psicológica. O homem que as mantém em cativeiro é um sádico, às vezes a leitura ficava bem densa pelas torturas que as personagens sofriam. Era um horror. É bastante cativante no livro essa empatia que a autora consegue criar com o leitor, justamente pelo fato da história ser bem real, porque encontramos casos correspondentes nas manchetes dos mais diversos jornais, infelizmente.

A história é narrada pela Sarah aos 28, 30 anos (13 anos após a ida ao cativeiro) e vemos claramente os impactos na sua vida, os traumas e as consequências devastadoras dessa experiência. Tudo nesse livro é muito bom, muito crível. Eu li bem rápido. Apesar de ter uns momentos fortes, é livro para pegar e não largar mais. A leitura fluiu incrivelmente bem, num ritmo agradável e gostoso. É um suspense envolvente e surpreendente. Em momento algum consegui decifrar aspectos da trama antes que a autora permitisse, fiquei satisfeita com isso, porque é sempre agradável ler uma história que foge do lugar comum. Se é um suspense, mistério é essencial e o livro cumpriu bem esse papel.

Concordo com as pessoas que se queixaram do final, também fiquei meio "hã?"! Gostei do livro inteiro, mas não gostei tanto assim do final. Achei que houve uma quebra no ritmo da narrativa, a história fluía bem, com o nível certo de desenvolvimento e, de repente, o final ficou mais lento, muita conversa e uma redução considerável na ação. Também achei um pouquinho forçado. Senti falta de mais detalhamento em alguns pontos. Mesmo assim não deixa de ser inesperado. No geral, gostei muito.



 Achei essa capa meio sem graça, porque gosto de capas mais artísticas, no entanto, o responsável pela capa conseguiu fazer um trabalho digno, fiel a história, retratando bem o enredo. Essa cor vermelha já coloca o leitor em clima de tensão, ansiedade. O arremate é dado pela imagem do buraco da fechadura, que passa uma ideia de pessoas sendo presas e observadas. Outro ponto interessante é que dentro da fechadura vemos a lista do nunca. É uma arte legal.



É claro. Cobri a boca com a mão. Senti vontade de consolá-la, mas não havia conseguido desenvolver essa habilidade em toda a minha solidão. Percebi que havia permitido que minha incapacidade de recuperação do meu passado encolhesse o meu mundo de tal forma que só restara espaço para mim. Agora me ocorria, realmente pela primeira vez, que as pessoas ferradas podiam se transformar em uma espécie de narcisistas. A tal ponto que eu, por exemplo, mal conseguiria reconhecer que os outros poderiam precisar de mim. (Zan, p. 151).



Minha vida tem estado bem corrida, por isso estou revendo a dinâmica de postagens. Talvez eu passe a comentar 2 ou 3 livros de uma vez, mas ainda estou analisando.

Em setembro estudo também a possibilidade de criar uma coluna mensal ou quinzenal (ainda analiso a periodicidade) para escrever sobre coisas aleatórias (filmes, séries, músicas, assuntos mais pessoais, etc). Veremos no que dá!

Isso é tudo por hoje!
Abraços!


domingo, 3 de agosto de 2014

Balanço do mês: Julho

Olá!

Vamos a mais um balanço do mês?

Leituras de Maio:
Conversando com Mrs. Dalloway (Celia Blue Johnson)
O Circo Mecânico Tresaulti (Genevieve Valentine)

O que tenho de novo:
Absolutamente nada!

O que estou lendo:
Capote: Uma biografia (Gerald Clarke)

Possíveis leituras para junho:
Pretendo terminar a biografia do Capote. Só tenho isso planejado.

O que andei vendo:
(Os itens marcados com * são revisão. Trocando em miúdos, já foram vistos antes).

Filmes:
Não vi filmes este mês

Séries:
Game of Thrones (1ª e 2ª temporada)

Apareceu no Ainda Leio:
Julho começou com o Balanço do mês de Junho. Apareceu por aqui, também, meus comentários sobre duas leituras ótimas: O grande Gatsby e Bonequinha de Luxo. Preparei dois posts especiais, no 'Quem lê muitos livros faz realmente uma boa leitura?', dissertei sobre a minha cobrança por não ler tanto quanto outras pessoas e no Indicação de canais literários recomendei alguns dos canais que acompanho (todos sobre livros).

Foi isso!
Próximo mês tem mais.
Beijos e até lá. ;)

domingo, 27 de julho de 2014

Indicação de canais literários

Olá, tudo bem com vocês?

Eu costumo postar aqui no blog apenas uma vez por semana, mas como a semana passada eu não publiquei nada, hoje tem post especial para compensar. ;)

Alguém uma vez me perguntou o motivo para eu não começar um canal literário e a resposta é muito simples: É que "eu quero evitar a fadiga" (parafraseando o Jaiminho do Chaves). Meus conhecimentos em informática são bem modestos, eu demoraria um século para editar um vídeo por mais simples que fosse e eu não tenho paciência para fazer uma coisa que me consuma tanto tempo assim.

A outra razão importante é que sempre fui do tipo que acredita na máxima: "Se não tem nada de novo ou interessante para acrescentar, então fica calada". Eu tenho que ser honesta, não sei se eu teria a desenvoltura necessária para falar sobre livros em um vídeo, provavelmente esta atividade seria hercúlea para mim, além do que, eu não teria nada de novo a oferecer a um possível seguidor, porque não consigo imaginar, pelo menos por hora, uma ideia inovadora na forma de falar sobre livros.

Acompanho muitos canais excelentes, com pessoas que fazem muito bem o que se propõem fazer e por isso prefiro a satisfação de acompanha-las a ter que fazer meus próprios vídeos. Resolvi, então, fazer um post com a indicação de alguns canais literários que acompanho. A princípio eu pensava em selecionar 5, mas vi que seria impossível, então aumentei para 10 e ainda assim não deu. Separei 14 indicações (isso com muito aperto no peito, porque muitos canais bacanas ficaram de fora). Eles estão indicados em ordem aleatória, ok?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Bonequinha de luxo (Truman Capote)

Título: Bonequinha de luxo
Autor: Truman Capote
Título original: Breakfast at Tiffany's
Tradução: Samuel Titan Jr
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2005
Páginas: 145






Bonequinha de luxo é uma daquelas obras maravilhosas que a gente pega para ler e nunca mais esquece. Que leitura agradável! Tudo no livro flui naturalmente. Esta, com certeza, vai ser eleita uma das minhas leituras favoritas de 2014.

Bonequinha de luxo é uma novela escrita em 1958 por Truman Capote, renomado escritor e jornalista. Temos no livro um narrador-personagem cujo nome nunca chegamos a conhecer. Sabemos apenas que em algum momento a protagonista vai denominá-lo de Fred em homenagem ao irmão dela. Fred, o narrador, é um escritor. Ele conta ao leitor como foi sua chegada a Nova York, sua vida no minúsculo apartamento que vivia, seus vizinhos e sua convivência com Holly. É através da narrativa de Fred que ficamos conhecendo mais a respeito da Srta. Holly Golightly, uma jovem de seus 18, 19 anos, que leva a vida como uma acompanhante e todos os dias, praticamente, quando volta de suas saídas noturnas, gosta de tomar café da manhã observando a vitrine da Tiffany (joalheria muito conceituada e super famosa). O livro traz outros personagens bem marcantes, como, por exemplo, um gato chamado gato, uma modelo gaga, um aristocrata gay que vive no armário, um diplomata brasileiro que vive em contato com Holly, entre outros.

Apesar da temática, este livro não tem nada de imoral no seu linguajar. Nada do que está escrito é construído para agredir ou criar rejeição. As palavras são apenas pincéis que delineiam criaturas não tão óbvias. Percebi uma grande delicadeza por trás da escrita do autor, que construiu uma narrativa focada nos relacionamentos de seus atores, na construção da personalidade desses personagens, que são bem reais, humanos demais, com suas virtudes e vícios, nem sempre em uma equação equilibrada. Truman Capote tem uma das escritas mais gostosas que já li. Foi uma delícia ler esse livro. Nossa, sem palavras!

Me chamou muita atenção o fato dele conseguir dar uma voz feminina tão verdadeira à protagonista. Enquanto lia, enxergava claramente uma mulher, esquecia que era um homem por trás daquelas palavras. Quando chegava a hora de ser o homem, a voz masculina do narrador também era ativa e marcante. Poucas vezes vi tanta sutileza em um autor. Ouso dizer que Capote pode vir a ser um dos meus autores preferidos. Ele já é, só espero a leitura de outras obras para bater o martelo.

Outra pessoa pode ler este livro e não perceber nada de significativo, mas eu percebi muitas nuances que envolveram. Temos como protagonista da história, uma jovem prostituta que naturalmente poderia me causar alguma rejeição. Apesar de parecer frívola e cabeça de vento, ela cativa o leitor aos pouquinhos e quando nos damos conta, estamos também caindo de amores pela Srta. Golightly. Ela tem um passado triste, bastante sofrível, que revela essa dor sutil na narrativa, mas que não pesa, não rouba a cor.

O título já se tornou emblemático, um ícone tal qual sua obra. Ele também se associou fortemente ao nome de Audrey Hepburn, atriz que viveu nas telas o papel de Holly, na adaptação de 1961. O filme foi o maior motivador para essa leitura. Sou fã incondicional da Audrey Hepburn. Para mim ela sempre será a mulher mais linda e elegante de todas, uma inspiração. Tenho uma coleção bem modesta dos clássicos que esta atriz maravilhosa atuou e dentre os filmes que tenho, bonequinha de luxo é um dos meus favoritos. Acho que a adaptação cinematográfica faz jus a obra literária, no geral, foi um filme bem adaptado. Alguns pontos são bem divergentes nas duas obras. O que chama bastante atenção é que no livro a Holly tem 19 anos e no filme deve ter uns 30. O filme foca o relacionamento amoroso entre Holly e Fred, que no livro não acontece. Em nenhum momento há um envolvimento amoroso entre os dois, os sentimentos entre eles nunca ficam claros. Apesar dessas mudanças, recomendo as duas obras, que se completam imensamente.

Esta minha edição traz além do romance principal mais 03 contos: Uma casa de flores, Um violão de diamante e Memória de Natal. São três contos bem escritos, mas particularmente não gostei muito do Uma casa de flores. Achei um conto nonsense demais, não consegui compreender o nexo da coisa... Enfim, foi viajado demais para mim. Os outros dois me agradaram, são bons, apesar de eu esperar por um texto que me fizesse derramar litros de lágrimas. Mas é só uma questão de perspectiva.




Esses foram meus breves comentários de mais uma obra bacana que eu super recomendo.

Beijos e até o próximo post.

domingo, 13 de julho de 2014

O grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)

Título: O grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Título original: The great Gatsby
Tradução: Vanessa Barbara
Editora: Companhia das Letras
Selo: Penguin Classics
Ano: 2013 (2ª reimpressão)
Páginas: 256





Desconfio que escrever sobre O grande Gatsby será uma tarefa árdua, não que eu não tenha gostado da história, muito pelo contrário, mas não tenho palavras para descrever minha experiência de leitura. Realmente estou sem palavras. Cada vez que jogo alguma letra nesta tela, sinto meu cérebro se contorcer e minha inspiração se esvair.

Quando penso neste livro me vem a cabeça apenas lembranças fragmentadas, recortes infiéis de uma narrativa cuja leitura foi enviesada. Demorei 16 dias, aproximadamente, para terminar esta leitura. Dentro deste período, passei 01 semana sem tocar no livro, não li absolutamente nada. Tinha vindo de um período agitado e não conseguia encontrar a dose certa de disponibilidade para uma boa leitura. Não sei se chega a ser uma ressaca literária ou simplesmente cansaço mental, mas definitivamente não li este livro em um bom momento. Em outra época, afirmo sem sombra de dúvidas, teria tirado melhores proveitos de uma narrativa tão envolvente quanto essa.

Não sei se minha descrição do enredo será livre de falhas, mas vamos lá. O grande Gatsby é narrado por Nick Carraway, um aristocrata falido que vai a Nova York trabalhar como corretor de títulos. Lá ele conhece Jay Gatsby, um homem rico e extravagante, com passado misterioso e alguns negócios não tão lícitos. Os dois acabam desenvolvendo um relacionamento próximo. Não é uma amizade instantânea, é um sentimento que vai sendo construído e que se firma próximo ao fim. Nick, por mais que tente se manter fiel ao seu juízo de caráter, possui suas ressalvas a respeito de Gatsby, vindo a reconhecer o valor deste último mais tarde. Gatsby é apaixonado desde muito jovem por Daisy, esposa de Tom Buchanan, um rico ex-jogador de polo (salvo engano). Buscando viver a ilusão desse tão sonhado amor por Daisy, Gatsby constrói sua personalidade almejando ser o homem que Daisy desejaria. 

Esta é acima de tudo uma história sobre o materialismo. O protagonista viveu toda a sua existência em busca do sonho americano. Ele ansiava ter um futuro melhor do que o que sua origem permitia, sonhava em conquistar a garota ideal e pertencer a aristocracia, que é retratada com floreios, luzes e encantos. Astutamente, Fitzgerald desenha uma sociedade atrativa até para aqueles que participam da história como mero expectador. Quem não gostaria de participar de uma festa na mansão de Gatsby? Se ele me chamasse, eu já estaria lá. É com a mesma habilidade que o autor nos mostra a realidade dos relacionamentos e da vida burguesa, que pode ser bastante vazia, falsa e efêmera. 

Vemos o enredar de relacionamentos complexos. Cada destino cruzado tem por trás uma história de interesses. Eu tive uma certa dificuldade em distinguir a veracidade das relações e dos sentimentos envolvidos nas conexões sociais. Vemos o autor jogar com a nossa percepção a respeito dos nossos próprios valores. Aquele personagem cujo passado poderia condená-lo, na verdade, revela-se o mais verdadeiro de todos. A mocinha que parece tão imaculada, mostra-se deslumbrada e fria. É uma história alicerçada em julgamentos... E eles não são apenas dos personagens.

A escrita de Fitzgerald é muito rica, é belíssima. Ele sabia construir personagens com uma destreza incomparável, uma sensibilidade notável. Nenhum de seus personagens é plano, eles possuem várias linhas, camadas de sentimentos indecifráveis. Vi personalidades que poderiam muito bem ganhar vida e estar aqui na próxima esquina.

O autor foi tão bem sucedido em sua narrativa, que me peguei cheia de rancor pela Daisy. Não consegui criar simpatia por ela em momento algum, ela sempre me pareceu sonsa, mimada, fútil, leviana, o tipo de pessoa que só sabe o que é ter seus caprichos atendidos. O único momento em que ela parece encantadora é através dos olhos de Gatsby. E não é apenas ela não, praticamente todos os personagens vivem de aparências.

O livro foi escrito em 1925, por isso faz muitas referências a músicas, bandas, acontecimentos, entre outras coisas, da década de 20. Acho importante mencionar que a minha edição traz notas explicando alguns trechos importantes. Achei isso maravilhoso, porque assim nenhum detalhe vai passar sem receber atenção. Se você quiser ler sem olhar as notas, não tem problema, dá para entender todo o contexto do livro e no que não der, a imaginação dá um jeito. Outra coisa interessante é a introdução desta edição, escrita por Tony Tanner, que faz uma análise desta e de outras obras de Fitzgerald.

Eu geralmente não gosto tanto de capas que trazem rostos, porque acho que a edição fica muito datada. Normalmente eu prefiro trabalhos mais abstratos ou de imagens mais panorâmicas, contudo, achei linda a imagem da capa, ela retrata bem o período que inspirou a história, só enriqueceu o livro.

Eu gostei muito desse livro, mesmo com a leitura custosa. Achei rico, cativante, complexo, mas ao mesmo tempo delicado. Sei que tirarei lições para minha vida. Quero relê-lo em outro momento, um momento que possa fazer jus ao seu esplendor.





"Seus pais eram fazendeiros preguiçosos e fracassados - sua imaginação nunca os reconhecera como pais. A verdade era que Jay Gatsby de West Egg, Long Island, havia saído da própria concepção platônica de si mesmo. Ele era um filho de Deus."


Curta nossa página no facebook. Você pode me seguir também no instagram: mariuchajesus

Até a próxima! 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Quem lê muitos livros faz realmente uma boa leitura?

Até o fim de junho eu li um total de 18 livros. Estava me sentindo bem comigo mesma, orgulhosa de mim e do meu desempenho. 18 livros em um intervalo de 06 meses não é uma quantia assim tão absurda, mas em comparação a outros anos, acho que li bastante para o meu padrão de leitura. No entanto, eu sempre me via desanimar diante das longas listas de leitura alheia. Não é difícil encontrar na blogosfera bloggers e vloggers que leem 63, 66, 87 livros por ano... Com tanta disposição assim dos outros, não tinha como eu não cair na cobrança. E é sempre assim que me sinto, como se fosse a pessoa que menos lê no planeta.

Aí me veio a questão, será que essas pessoas aproveitam absolutamente tudo do que leem? Pode funcionar para elas, não duvido da habilidade e capacidade que essas pessoas têm de absorver os mais diversos conteúdos, mas para mim, infelizmente, não funciona tão bem assim. Cada vez que avanço em uma leitura, me pego esquecendo detalhes triviais da narrativa ou simplesmente não assimilando a história. Isso é um fato, eu não poderia negar. No meu íntimo gostaria de ler muito mais, contudo, sei que esse ritmo de leitura é o máximo para mim, pelo menos por enquanto. Sabendo disso, me nego a sacrificar minha compreensão de um bom enredo em nome dos números. No fim, eles são apenas o que são, números, mas histórias não, elas sempre oferecem muito mais e isso tem que bastar para mim.

Continuo admirando incondicionalmente estas pessoas que conseguem ler uma grande quantidade de livros durante um ano, aproveitando todo o potencial da escrita de um autor, sem perder a qualidade. Gostaria de ser assim também, mas não sou. Quantidade nunca foi sinônimo de qualidade, nem na literatura, nem na vida. Então por que tanta cobrança? Por que desespero para bater tantas metas? Não quero mais me impor culpa porque leio menos, quero simplesmente me recostar no fim do dia, descansar calmamente e me encontrar com aquele livro amigo que me acompanha e aconchega por pouco ou muito tempo, quero a tranquilidade de desfrutar da satisfação de ser intima com um personagem e sentir o significado de cada palavra do texto.

Que seja assim sempre. Se você lê muito, parabéns! Se você lê pouco, continue motivado! E que viva a liberdade, dentro e fora dos livros!

sábado, 5 de julho de 2014

Balanço do mês: Junho

Olá!

Esta é mais uma edição da coluna Balanço do mês


Leituras de Maio:
A lista do nunca (Koethi Zan)
Admirável mundo novo (Aldous Huxley)
Extraordinário (R. J. Palacio)

O que tenho de novo:
O castelo de vidro (Jeannette Walls)
Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)
Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito, Persuasão (Jane Austen) - (Volume único. Edição da Martin Claret)


P.S: Todos foram presentes.

O que estou lendo:
Conversando com Mrs. Dalloway (Celia Blue Johnson)

Possíveis leituras para junho:

Eu pretendo terminar de ler Conversando com Mrs. Dalloway e começar O circo mecânico Tresaulti ou Capote: Uma biografia.

O que andei vendo:
(Os itens marcados com * são revisão. Trocando em miúdos, já foram vistos antes).

Filmes:
X-Men - Dias de um futuro esquecido
A culpa é das estrelas

Séries:
Law & Order: SVU
Drop Dead Diva (6ª temporada) - Fim de série

Apareceu no Ainda Leio:
Comecei o mês criando um post especial no clima dos namorados, foi um top 5 com meus casais preferidos da ficção, para ver o post clica aqui! Depois postei meus comentários acerca do filme A culpa é das estrelas e dos livros A esperança e O fantasma de Canterville. Também apareceu por aqui um post falando sobre o lugar onde preparo minhas atualizações para o blog, você pode lê-lo aqui.


No próximo mês eu volto com mais um Balanço do mês.

Até!

sábado, 28 de junho de 2014

O fantasma de Canterville (Oscar Wilde)

Título: O fantasma de Canterville
Autor: Oscar Wilde
Título original: The Canterville Ghost
Tradução: Elisa Nazarian
Editora: Leya
Selo: Barba Negra
Ano: 2011
104 páginas





O fantasma de Canterville narra as desventuras de Sir Simon Canterville, um fantasma que assombra a Reserva de Caça de Canterville há mais de 300 anos, causando enormes confusões. Sua rotina de assombrações começa a mudar com a chegada da família Otis, uma família americana composta pelo Sr. Otis, um diplomata republicano, pela Srª Otis e pelos quatro filhos do casal: Washington, Virgínia e os gêmeos. Essa família não tem medo do fantasma, então a criatura de assustadora passa a ser vítima assustada.

O fantasma de Canterville é um clássico universal. Um conto curto que dá para ser lido em uma sentada só. Foi uma leitura prazerosa. Me diverti bastante.

O vocabulário é levemente complexo, devido ao fato da obra ter sido publicada originalmente em 1891. Vemos no texto palavras pouco usuais, no entanto, a compreensão permanece intacta apesar dos anos que se passaram. É um texto muito gostoso de ser lido, muito bem escrito. Poucas páginas, mas muito requinte.

A ironia de Wilde é deliciosa. Analisando um pouco mais a narrativa, podemos ver a crítica do autor aos costumes britânicos da época. Vemos um certo xenofobismo arraigado no fantasma, que acha os americanos desrespeitosos e materialistas, retrato de uma elite londrina que se achava superior.

Minha edição é belíssima, ela é ilustrada. Amo esse rosa "cheguei", forte, que confere modernidade e chama bastante atenção. Acho que esse era o objetivo da editora, que lançou essa coleção em cores chamativas para atingir um nicho mais jovem do mercado. São clássicos relançados em uma nova roupagem para os jovens. E digo mais, para as crianças crescidas também.








segunda-feira, 23 de junho de 2014

Onde a mágica acontece... O lugar onde crio meus posts

Gerar conteúdo para um blog, mesmo que por hobby (como é o meu caso), requer muita dedicação e comprometimento. Nem sempre as ideias fluem facilmente, muitas vezes acabo demorando um tempão para criar um post pequeninho, por isso acho importante ter um cantinho especial para me ajudar a gerar conteúdo.


Esse é o cantinho que divido com meu marido. Com duas pessoas disputando espaço, fica bem complicado torná-lo especial, mas amo esse lugarzinho. É meu lugar preferido na casa. Daqui saem a maioria dos meus posts. Gosto de ter meus livros por perto quando estou escrevendo, porque fica mais fácil quando preciso consultar alguma informação, por isso fico juntinha a minha estante. ♥

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Esperança (Suzanne Collins)

ALERTA DE SPOILERS: Este texto poderá conter revelações do enredo. Se você tem intenção de ler o livro, talvez seja melhor voltar depois. Fica a dica! 



Título: A Esperança
Autora: Suzanne Collins
Título original: Mockingay
Tradução: Alexandre D'Elia
Editora: Rocco
Páginas: 424

*Li em E-Book.





Vou tentar escrever este post da maneira mais breve possível, sintetizando bem o enredo para evitar ficar fazendo muitas revelações importantes, mas manifesto prontamente a minha dificuldade em não detalhar a história. Por isso, eventualmente poderão aparecer spoilers.

Começamos o último livro da Trilogia Jogos Vorazes exatamente do ponto onde terminou Em Chamas. Somos apresentados ao Distrito 13 e seus habitantes. Vemos como os acontecimentos ocorridos no livro anterior impactaram a vida de todos os personagens. Neste livro, vemos Katniss lutar para se reerguer depois de tantos sofrimentos e traumas, vemos as marcas deixadas por tanto banho de sangue. Ficamos sabendo detalhadamente sobre o levante contra a Capital, como os distritos estão se rebelando contra a opressão do presidente Snow. No meio de tudo isso, vemos Katniss se transformar no rosto de uma rebelião, a verdadeira mockingjay, aquela que é capaz de dar voz ao povo de Panem.

Neste livro, continuamos vendo os eventos a partir do ponto de vista da Katniss, que é a narradora. A história é contada de forma linear, sem grandes cortes na narrativa ou saltos no tempo. Isso me agrada porque o leitor vai descobrindo os detalhes na trama da mesma forma que os personagens, aos poucos, após uma boa dose de envolvimento. Percebi que este último livro tem um apelo psicológico ainda maior que os anteriores. A narrativa vai ficando mais densa, mais aflitiva a cada página. A escrita da Suzanne Collins continua bem envolvente.

Era comum durante a leitura eu me sentir como se estivesse de fato no Distrito 13. Me via ansiosa com a possibilidade da guerra, revoltada com as decisões da líder do distrito 13, Coin, machucada como a população. Enfim, foi mais que envolvimento, foi empatia profunda. Mesmo assim, não fiquei livre de aborrecimentos. No início, achei o livro um pouco massante, nada demais, só queria a antecipação de alguns fatos, apesar disso me mantive empolgada com a leitura como aconteceu com os livros que precederam este.

Pela primeira vez me vi chateada com o triângulo amoroso. Embora ficasse nítida a relação de afeto entre Katniss e Peeta, sempre tinha o Gale no meio da história. Estavam todos lá, devastados pelo efeito da guerra e ainda assim a Katniss era incapaz de perceber com clareza seus sentimentos. Sei que o que ela viveu foi muito difícil, mas não dava mais para engolir esse triângulo (minha humilde opinião). Peeta sai um pouco de foco, Gale passa a ter mais destaque no livro.

Mas à medida que a narrativa fluía e a gente avançava na história, ficava praticamente impossível largar o livro. Eu gostei da expectativa que foi plantada em mim, gostei da dualidade provocada, porque se por um lado eu queria saber logo o fim, por outro, me negava a permitir que o fim da história chegasse. Queria que os acontecimentos do final tivessem sido mais explorados, mais desenvolvidos... Só que tudo bem, estou muito mais do que satisfeita com o que recebi.

O que me desagradou no fim e me fez, aliado a outros fatores, não colocar esse livro em um patamar melhor, foi a escolha da Katniss, porque não houve uma escolha. Me pareceu que a vida seguiu e as coisas aconteceram do jeito que aconteceram porque outros personagens tomaram a decisão pela Katniss. Eu gostaria que ela tivesse chegado a uma conclusão antes, forte, definitiva. Gostaria que ela tivesse sido capaz de lutar pelo amor da vida dela e não ficar conformada com o que ia acontecendo. Para uma pessoa que já perdeu tanto, ela deveria ser mais capaz de agarrar o que ela quer.

Fiquei tristinha com a história do Finnick também.

Resumindo, gostei muito do livro, acho que foi um ótimo final, bem amarrado, bem construído. Só não sei se o escolheria como o meu preferido da série. Tenho dúvida ainda. Posso mudar de ideia depois, mas acho que meu preferido ainda é Em Chamas. A única coisa que posso afirmar com certeza é quero fazer uma releitura da trilogia no futuro.





quinta-feira, 12 de junho de 2014

#AindaAssisto: A culpa é das estrelas (o filme)

Título: A culpa é das estrelas
Título original: The fault in our stars
Direção: Josh Boone
Roteiro: Scott Neustadter e Michael H. Weber
Ano: 2014
Duração: 125 minutos



Então, eu assisti a 'A culpa é nas estrelas', filme baseado no livro de mesmo nome, escrito por John Green. Aqui no blog tem post com meus comentários sobre o livro (para ler, clique aqui).

O filme causou tanta comoção quanto o livro. Foi a primeira vez que assisti um filme onde as pessoas choraram do início ao fim. Como não vou ser do contra, também chorei em alguns momentos, não em todos, mas posso dizer que minhas lágrimas valeram a pena.

O filme, apesar de alguns momentos mais leves e carregados de humor, tem uma carga dramática muito intensa. É triste não por "forçação de barra", mas porque não existe meios para conduzir esta história de outra forma. É apaixonante. Ao mesmo tempo em que te arranca suspiros, te faz prender o fôlego. 

Os protagonistas são vividos pela Shailene Woodley (Divergente, Os descendentes e A vida secreta de uma adolescente americana) que faz a Hazel Grace e Ansel Elgort (Carrie, Divergente) que faz o Augustus Waters. Vi muitas críticas ao trabalho da Shailene e, particularmente, achei bastante satisfatório. Ela me convenceu no papel da Grace, foi uma personagem digna e bem interpretada. Mas verdade seja dita, quem deu um show de interpretação mesmo foi o Ansel. Ele se garante como ator! Apesar de ser diferente fisicamente do Gus descrito no livro, ele conseguiu dar vida a essência do personagem. Foi marcante, delicado e envolvente. Tem uma cena muito específica, que acontece em um carro (quem assistiu entenderá) que me fez chorar e aplaudir com louvor toda a produção.

Eu gostei de tudo no filme. Achei que o cenário ajudou a construir a história, a criar um clima de intimidade entre o espectador e os personagens. O figurino conferiu veracidade e estimulou a criação da identidade. A trilha sonora arrematou o pacote e fez ficar ainda mais perfeito.

No geral, achei o filme muito bem adaptado. Ele foi fiel ao livro, apesar de algumas adaptações. Dessas adaptações cinematográficas que vi atualmente, com certeza essa foi a com melhor resultado.

Sei que vai existir muitos haters criticando ferrenhamente a obra, porque atualmente a internet é terra de insatisfação, é terreno para o ódio incontestável e ignóbil, onde muitas vezes se critica sem propósitos, só pela mera satisfação de causar polêmica. Respeito a opinião de quem não gostou, desde que venha acompanhada de argumentos, mas crítica alguma muda minha opinião: GOSTEI DEMAIS do filme. Ouso dizer que, até agora, foi o melhor filme que assisti em 2014. Super recomendo. Quem gostou do livro provavelmente irá gostar do filme. Quem não gostou, tem grandes chances de mudar de ideia.


Trailer:


domingo, 8 de junho de 2014

TOP 5: Casais da ficção

Olá!

Como estamos no mês de junho, bem pertinho do dia dos namorados, resolvi criar um TOP 5 dos meus casais preferidos (ou pelo menos alguns deles) da ficção. Não foi fácil selecionar 5... Então, vamos conferir?


01 - Elizabeth Bennet e Mr. Darcy (Orgulho e Preconceito)
Foto: Fanpop
Eu amo esse casal. Um dos meus casais preferidos, de uma das minhas autoras favoritas. Impossível não se apaixonar pelos dois.

02 - Katniss Everdeen e Peeta Mellark (Jogos Vorazes)

Foto: Filmes e games



Apesar da Katniss me irritar em alguns momentos, não posso esconder que ela fica perfeita junto do Peeta. O Peeta a faz muito melhor.

03 - Liesel e Rudy (A menina que roubava livros)

Foto: Cine Cinema
Eles não são bem um casal, mas essa duplinha tem uma cumplicidade enorme e uma amizade indestrutível. E o romancezinho que ensaiam é uma fofura só ♥.

04 - Hazel e Augustus (A culpa é das estrelas)

Foto: Cronista amadora
Precisa falar muito desse casal? Eles são os responsáveis por popularizar o gênero YA... E o amor.

05 - Lucíola e Paulo (Lucíola)

  
Amo o livro. Amo Lucíola e Paulo. História atemporal de um amor inenarrável. 


Vamos conversar? Quais os casais preferidos de vocês? Deixem aí nos comentários.

Abração cheio de amor.

domingo, 1 de junho de 2014

Balanço do mês: Maio

Oi!

Estou de volta com a coluna 'Balanço do mês', esta é a edição de maio. Vai ser um post super breve, nele vou fazer um resumo do que andei lendo e assistindo no mês de maio. Como assisti bastante coisa, não irei me detalhar muito. 

Vem conferir!




Leituras de Maio:
A esperança (Suzanne Collins) - Último livro da trilogia Jogos Vorazes
O grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)
Bonequinha de luxo (Truman Capote)

O que tenho de novo:
Absolutamente nada! Este mês não comprei, baixei ou ganhei livros.

O que estou lendo:
A lista do nunca (Koethi Zan)

Possíveis leituras para junho:
Ainda não planejei nada. Não tenho conseguido dar seguimento ao meu planejamento, mas devo escolher algum livro da minha meta para 2014.

O que andei vendo:
(Os itens marcados com * são revisão. Trocando em miúdos, já foram vistos antes).


Filmes:

The Real Jane Austen (BBC)
Halloween H20 - 20 anos depois*
Diário de uma paixão*
Dirty dancing 2 - Noites de Havana
O espetacular homem-aranha 2: A ameaça de Electro
Garçonete*
Ao entardecer
O escândalo da princesa
12 anos de escravidão

Séries:

Grey's anatomy (10ª temporada)
Almost human (1ª temporada) - Série cancelada
The mentalist (6ª temporada)
Rosemary's baby (série em dois episódios)


Isso é tudo pessoal!
 
Sei que estou com as postagens bem atrasadas. Já estamos em junho e não postei os comentários de algumas leituras de abril e, consequentemente, de maio também. Isso acontece pela frequência de postagem mesmo. Atualmente não tenho como postar mais de uma vez na semana, mas vou tentar "dar um gás".

Abraços.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Minha TBR Jar

Oi tudo mundo! Como vocês estão?

Está rolando em alguns blogs literários nacionais e internacionais uma modinha e eu, como sou muito antenada (só que não), resolvi aderir. Falando sério agora, aderi ao TBR Jar (TBR significa "to be read", ou seja, para ser lido) não por modismos, mas por questões práticas.



A minha TBR Jar está mais para TBR Bowl, enfim... 

A sigla é auto-explicativa, consiste em separar todos os livros não lidos de sua estante e colocar seus respectivos nomes em uma vasilha para serem sorteados. O objetivo é que você sorteie suas leituras do potinho e contemple todos os livros que estão encalhados, ou porque você perdeu a vontade de ler, ou porque você fica confuso com todas as opções, entre outras coisas. 

Por isso aderi. Sempre gostei de ler o que me desse mais vontade, o que me trouxesse mais satisfação, então percebi que sempre vão ficando para trás alguns livros específicos, porque sempre opto por ler o que me parece mais agradável ou curto. Tenho evitado os livros excessivamente grossos, porque quero ler o máximo possível este ano e não conseguirei se for consumida por uma leitura muita densa e longa. No meio dos livros não lidos existem uma grande quantidade de títulos que se tornaram desinteressantes porque comprei a obra há tanto tempo que já nem lembro do enredo. Para evitar esses dilemas, resolvi contar com a sorte, literalmente.

No início, minha meta era transformar minha TBR em meu braço direito, aquele potinho mágico que iria resolver minha vida, mas depois que a preparei veio uma dose cavalar de decepção, um desapontamento quase tangível. Resolvi colocar na minha TBR não apenas os livros da minha estante, mas também os e-books. Preciso seguir com a leitura dos e-books tanto quanto dos físicos, porque fui baixando livros indiscriminadamente e percebi que não tenho vida suficiente para lê-los (fato!). Como já mencionei em outros posts aqui no blog, não tenho pudor na hora de baixar livros, vou baixando tudo que um dia possa me dar vontade de ler, mesmo que não seja do meu gosto literário. Isso, obviamente, é uma receita para o fracasso.

Tenho, então, uma vasilha com 286 títulos, sendo 199 de livros no kindle e 87 livros físicos. Se você levar em consideração que muitos desses livros são séries e que, para melhor compreensão, preciso lê-los em ordem, por isso coloquei apenas um título aqui para representá-los, esse número é muito maior do que 286. Sentiram o meu drama? É, também não consigo acreditar. Meu marido fez as contas, se eu ler 3 livros por mês (com muito sacrifício, acreditem!), em aproximadamente 10 anos terei contemplado todos os livros da minha TBR.

Conclusões:
- Não serei escrava da minha TBR. Quero que ela seja um auxílio e não uma forma auto-imposta de cobrança.
- Pretendo ler, pelo menos, todos os livros físicos até o fim do próximo ano. Sei que é difícil, por isso não vou me desesperar se não conseguir, porque sei que não irei conseguir.
- Como 99,9% dos meus e-books eu consegui gratuitamente, não vou sentir nenhum remorso se não conseguir ler todos. Tenho até o fim da vida para terminá-los.
Isso me leva a decisão seguinte: estão abolidos os livros gratuitos. A aquisição de livros digitais também será mediante pagamento. Se, comprando, eu já consigo acumular muitas leituras não iniciadas, imagina conseguindo gratuitamente várias opções? Se o bom senso não é moderador suficiente, o dinheiro (ou a falta dele) passará a ser.

Bem, foi isso!

Deixem aqui nos comentários se vocês também estão com peninha de mim. Rsrs. Brincadeira.

Até o próximo post.

Tchau, tchau.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Minha decisão de não deixar mais livros abandonados

Desde criancinha eu gosto de ler. Nem sei quando o gosto pela leitura começou a ser despertado em mim. Talvez tenha sido no colégio, nos clubes de leituras, nos trabalhos de português e inglês, não sei em que exato momento me dei conta de que ler me deixava feliz. A verdade é que não consigo lembrar de mim sem gostar de ler, embora tenha deixado esse prazer adormecido durante um tempo, porque em certos momentos li muito pouco.

Quando era criança não tinha uma grande variedade de livros. Tinha muitos para uma criança, mas não tanto assim. Talvez pelo fato de já ter desejado muitas coisas... "Quero ser cantora", "Quando crescer vou ser jornalista", "Já pensou como seria legal escrever um livro?" e nunca ter levado nada em frente, talvez por isso, tenha recebido alguns nãos. Esses nãos também foram para os livros que eu queria ter (todos os livros do mundo).

Tive sorte de ter pais que gostam de ler. Hoje não vejo mais meu pai lendo, mas compartilho com minha mãe a necessidade de ter um livrinho por perto. Ela sempre acompanha meu blog. Ouso dizer que é minha maior fã, mesmo aqui não sendo nada grandioso. Ela, mais do que ninguém, sabe que sempre sonhei em possuir uma grande biblioteca pessoal.

Cultivei o sonho de encher um quarto com livros desde pequena. Quando cresci e comecei a reunir uma economia modesta, pus em prática meu sonho. Casei e meu marido mergulhou no sonho junto comigo. Hoje ele me ajuda a trazer para casa aquele pedacinho de arte que faz meus olhos brilharem.

Ao longo dessa jornada pela "coleção de livros perfeita" me deparei com as perguntas: "E aí, quantos desses livros você já leu?", "Por que tem tantos não lidos?", "Não acha melhor investir teu dinheiro em outra coisa?". Perguntas que bem lá no fundo vêm revestidas de um certo tom de julgamento. Eu nitidamente tenho mais livros do que sou capaz de ler. Até certo tempo atrás isso não era um problema. Não me pesava na consciência não ter lido todos os meus livros, pelo contrário, achava fantástico saber que quando uma leitura terminasse, eu teria muitos outros livros para ler. Isso me tranquilizava.

Eis que atualmente me deparo com uma pontada de culpa. Uma pontada não, uma punhalada. Toda vez que olho minha estante com um livro sem ler, intimamente me envergonho. Sinto que estou traindo a causa e dou razão ao tom de julgamento. Por isso resolvi estabelecer um período de abstinência literária, ou seja, durante seis meses não compro livro, a exceção só é permitida para os livros da minha lista de querências. Posso dizer que estou muito bem nesse desafio. Já estou a cinco meses sem comprar livros e penso em aumentar o prazo.

Por que tomei essa decisão? Porque realmente tenho muitos livros encalhados, perdi até a vontade de ler alguns, mas realmente quero conhecer mais sobre meu gosto, sobre minhas escolhas e só a leitura vai me permitir isso. Tão gostoso quanto comprar um livro novo é ler.

O outro motivo de querer ler ABSOLUTAMENTE TUDO que tenho é por uma questão logística: moro em um apartamento pequeno (que aos meus olhos parece o Palácio de Buckingham) e, com uma dose bem grande de desapontamento, percebi que não posso comprar mais livros porque simplesmente não tenho mais onde guardá-los. Então, para continuar fazendo o que tanto gosto (ler), vou ter que reconfigurar meu sonho, de um quarto repleto de livros para uma modesta estante de quatro nichos. Por isso vou ter que exercitar meu lado desapegado (só que não) e inevitavelmente me desfazer de alguma coisa. Vai chegar o momento em que só poderei ter o que gosto muito e para saber o que gosto, tenho que ler tudo. Talvez assim eu consiga deixar algum dos meus "amigos" ir embora sem que doa em meu coração.

E vocês, já tomaram alguma decisão parecida? Deixem aqui nos comentários.

E a todos que chegaram até aqui, aquele abraço.

Beijos,
Mariucha

;)